“Eu quero a sorte de um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida...”
Sempre disse que esta música de Cazuza era meu hino... Talvez porque sempre estive envolvida em relações complicadas, passionais, egoístas e intensas...
Desde a adolescência, tive vocação para casos complicados...
E achava que amor era isso. Sofrimento, lágrimas, despedidas...
Isso que eu sentia e sentiam por mim era, na verdade, projeção.
Éramos seres ignorantes e perdidos na ilusão de sermos o nome que nos chamaram, ou a profissão que escolhemos,
o amor de outra pessoa, ou pai de alguém, mas e o Ser?
Quem eu sou realmente? Quem eu sou quando estou desidentificada destes papéis que escolhi exercer?
Não sei. Mas pelo menos agora compreendo o real estado de plenitude do Ser que posso vir a ser
mesmo que momentaneamente eu esteja identificada demais com meu ego e não consiga enxergar.
Sei onde posso encontrá-lo. E certamente não é fora de mim...
Em coisas simples como um mar morno e transparente, um por do sol ou um arco-íris visto inesperadamente,
uma flor desabrochando, um gesto de carinho de um desconhecido ou mesmo fazendo amor com quem amamos,
nossa felicidade está muito mais perto do que pensamos,
e podem estar nestes fragmentos no tempo que nos trazem alegria e paz...
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Todos os caminhos levam a meditação...
Quando canto mantras, sou instantaneamente tomada por uma onda de felicidade
e sinto, na pele, no coração que sou esta onda, que sou felicidade, paz e amor.
O mantra eleva o pensamento, abre o coração e comunga com os deuses.
Aliás, mantra deve ser a língua dos deuses.
Amma diz que, nesta era em que vivemos, Kali Yuga, as pessoas não conseguem ter a paz necessária para meditar,
por isso, devem cantar. Seus satsangs são permeados por música, deixando bem claro que é este o caminho mais curto
e direto para entrar em contato com o deus que existe dentro de nós.
Em seus bhajans, Amma diz aquilo que seu abraço personifica:
tudo é amor, viemos do amore a razão de viver é o amor.
Sat chit ananda, somos conciência divina, plenitude e bem aventurança.
O Yoga surge para nos lembrar quem realmente somos,
para tirar o véu da ignorância que não nos pernite ver que já somos o que queremos ser.
A meditação é uma das ferramentas para se atingir este “despertar” e os mantras, uma das ferramentas da meditação. Portanto, ao entoarmos mantras, estamos caminhando no sentido da meditação e neste caso, os meios justificam os fins...
Sinto-me inclinada a fazer meditações enquanto caminho, ou quando planto flores no meu jardim, ou mesmo quando pratico asanas livremente, despretenciosamente, sem querer chegar a lugar nenhum.
Apenas pelo prazer de estar ali, presente, viva...
Algumas vezes, enquanto faço sementes germinar ou multiplico as espécies que já tenho, ou enquanto rego as flores ou misturo a terra que germinará os vegetais que vou comer, consigo me desidentificar completamente do ego que sou e viro flor, viro manjericão e lavanda, viro terra, semente, derrubo a fronteira que me separa da natureza.
Derrubo as cercas que me impedem de ver que sou igual a tudo que existe fora de mim.
Mas ainda resisto muito a ficar totalmente imóvel. Não é o silêncio que me angustia, é a imobilidade...
Devo forçar-me a ficar imóvel, mesmo que minhas costas doam e eu não consiga parar de perceber esta dor,
até que ela vai tomando conta da minha mente ou devo continuar alegremente a entoar os mantras
que me dão tanta paz que até esqueço das dores do corpo?
Qual seria o caminho certo? Haveria caminho certo? Ou certo seria cada um cumprir seu dharma e sermos todos felizes?
Cada vez mais entendo que o que importa é dedicar um tempo para a contemplação, para a devoção...
Não importa como nem por quem. Importa saber que existe uma força muito maior regendo tudo e render-se diante dela...
Namaste...
e sinto, na pele, no coração que sou esta onda, que sou felicidade, paz e amor.
O mantra eleva o pensamento, abre o coração e comunga com os deuses.
Aliás, mantra deve ser a língua dos deuses.
Amma diz que, nesta era em que vivemos, Kali Yuga, as pessoas não conseguem ter a paz necessária para meditar,
por isso, devem cantar. Seus satsangs são permeados por música, deixando bem claro que é este o caminho mais curto
e direto para entrar em contato com o deus que existe dentro de nós.
Em seus bhajans, Amma diz aquilo que seu abraço personifica:
tudo é amor, viemos do amore a razão de viver é o amor.
Sat chit ananda, somos conciência divina, plenitude e bem aventurança.
O Yoga surge para nos lembrar quem realmente somos,
para tirar o véu da ignorância que não nos pernite ver que já somos o que queremos ser.
A meditação é uma das ferramentas para se atingir este “despertar” e os mantras, uma das ferramentas da meditação. Portanto, ao entoarmos mantras, estamos caminhando no sentido da meditação e neste caso, os meios justificam os fins...
Sinto-me inclinada a fazer meditações enquanto caminho, ou quando planto flores no meu jardim, ou mesmo quando pratico asanas livremente, despretenciosamente, sem querer chegar a lugar nenhum.
Apenas pelo prazer de estar ali, presente, viva...
Algumas vezes, enquanto faço sementes germinar ou multiplico as espécies que já tenho, ou enquanto rego as flores ou misturo a terra que germinará os vegetais que vou comer, consigo me desidentificar completamente do ego que sou e viro flor, viro manjericão e lavanda, viro terra, semente, derrubo a fronteira que me separa da natureza.
Derrubo as cercas que me impedem de ver que sou igual a tudo que existe fora de mim.
Mas ainda resisto muito a ficar totalmente imóvel. Não é o silêncio que me angustia, é a imobilidade...
Devo forçar-me a ficar imóvel, mesmo que minhas costas doam e eu não consiga parar de perceber esta dor,
até que ela vai tomando conta da minha mente ou devo continuar alegremente a entoar os mantras
que me dão tanta paz que até esqueço das dores do corpo?
Qual seria o caminho certo? Haveria caminho certo? Ou certo seria cada um cumprir seu dharma e sermos todos felizes?
Cada vez mais entendo que o que importa é dedicar um tempo para a contemplação, para a devoção...
Não importa como nem por quem. Importa saber que existe uma força muito maior regendo tudo e render-se diante dela...
Namaste...
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
O fio que nos une
Tudo nos leva a passar pela vida pulando de galho em galho como macacos na árvore das nossas emoções,
inquietos, famintos, e nem sabemos de que...
E deixamos de lado vocações e sonhos para cumprir papéis.
Tantos são os personagens que exercemos que esquecemos que esta vida é apenas uma parte de nossa imensa experiência espiritual. É apenas um dos muitos espetáculos de que participamos. E tudo na base da improvisação. Não há tempo de ensaiar para melhorar esta ou aquela cena, muito menos temos um diretor cuidando para que estejamos perfeitos na estréia. Temos que ser one man show em início de carreira: autores, produtores, diretores e intérpretes de nossas vidas. E ainda temos que saber cantar, dançar, representar e fazer malabares se for preciso...
E o yoga é o fio que nos guia, um farol que ilumina o oceano de nossas turbulências
e permite que encontremos o caminho de volta para casa, para nós mesmos...
A compaixão é a grande razão para estarmos no mundo, concordam todas as religiões.
Escolhemos experienciar a vida na terra para amarmos os outros seres e nos ajudarmos mutuamente.
Mais uma vez o fio... Porque tudo está ligado.
Assim como é no macrocosmo, é no microcosmo.
Se a natureza vive em perfeita harmonia, se rios e mares, ventos e chuvas, pedras e flores, sol e lua, convivem respeitosamente e se complementam, assim somos nós. Ou deveríamos ser, não tivéssemos cortado o fio que nos liga aos outros, tão envolvidos pela ignorância quanto nós, tão sedentos de felicidade como nós...
As vezes vejo gente morando na rua, em caixas de papelão e penso: onde está a minha dignidade se permito que outro igual a mim, perca a sua dignidade desta forma? Cada pessoa que morre de fome e frio, é uma parte de mim que morre junto...
Não podemos esquecer nunca do fio...
O fio da união... Yoga...
Namaste...
inquietos, famintos, e nem sabemos de que...
E deixamos de lado vocações e sonhos para cumprir papéis.
Tantos são os personagens que exercemos que esquecemos que esta vida é apenas uma parte de nossa imensa experiência espiritual. É apenas um dos muitos espetáculos de que participamos. E tudo na base da improvisação. Não há tempo de ensaiar para melhorar esta ou aquela cena, muito menos temos um diretor cuidando para que estejamos perfeitos na estréia. Temos que ser one man show em início de carreira: autores, produtores, diretores e intérpretes de nossas vidas. E ainda temos que saber cantar, dançar, representar e fazer malabares se for preciso...
E o yoga é o fio que nos guia, um farol que ilumina o oceano de nossas turbulências
e permite que encontremos o caminho de volta para casa, para nós mesmos...
A compaixão é a grande razão para estarmos no mundo, concordam todas as religiões.
Escolhemos experienciar a vida na terra para amarmos os outros seres e nos ajudarmos mutuamente.
Mais uma vez o fio... Porque tudo está ligado.
Assim como é no macrocosmo, é no microcosmo.
Se a natureza vive em perfeita harmonia, se rios e mares, ventos e chuvas, pedras e flores, sol e lua, convivem respeitosamente e se complementam, assim somos nós. Ou deveríamos ser, não tivéssemos cortado o fio que nos liga aos outros, tão envolvidos pela ignorância quanto nós, tão sedentos de felicidade como nós...
As vezes vejo gente morando na rua, em caixas de papelão e penso: onde está a minha dignidade se permito que outro igual a mim, perca a sua dignidade desta forma? Cada pessoa que morre de fome e frio, é uma parte de mim que morre junto...
Não podemos esquecer nunca do fio...
O fio da união... Yoga...
Namaste...
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Sustentável leveza de andar a pé.
Vinte e dois dias sem carro:
Pois é... com o aumento da frota de veículos, as seguradoras estão cada vez mais cheias e portanto, muito mais lentas para consertarem os carros de seus segurados. No entanto, para minha surpresa, não estou com nenhuma pressa pra ter meu carro de volta...
Pelo contrário, estou surpresa com meu desapego... Nunca me imaginei sem carro, principalmente vivendo em SP, com o deficiente transporte público que temos. Tenho sofrido pressões de familia e amigos para não desistir do carro de forma definitiva. Dizem que posso perder a mão, ficar com medo e nunca mais voltar a dirigir...
Estou meditando sobre tudo isso, não sei se estou deslumbrada com uma nova maneira de viver, mas a verdade é que estou me sentindo muitíssimo bem a pé...
Fora os dias de chuva, que realmente nos desanimam a sair de casa, o resto tem sido só prazer.
Algumas vezes, saio apenas com o RG e algum dinheiro e, claro, o celular.(Este seria impossível abrir mão, já que sou free lancer). Sensação de adolescência tardia, como a que tive quando resolvi fazer uma segunda faculdade aos 30 anos.
Sensação de estar leve e aberta para novas pessoas, lugares, caminhos... E mais que tudo: a sensação de que eu consigo, posso e me contento em consumir cada vez menos... Certeza de que a felicidade não tem mesmo nada a ver com ter, comprar, possuir.
E sim, com livrar-se de condicionamentos antigos e dar-se chance de experimentar outras formas de viver...
Namaste...
Pois é... com o aumento da frota de veículos, as seguradoras estão cada vez mais cheias e portanto, muito mais lentas para consertarem os carros de seus segurados. No entanto, para minha surpresa, não estou com nenhuma pressa pra ter meu carro de volta...
Pelo contrário, estou surpresa com meu desapego... Nunca me imaginei sem carro, principalmente vivendo em SP, com o deficiente transporte público que temos. Tenho sofrido pressões de familia e amigos para não desistir do carro de forma definitiva. Dizem que posso perder a mão, ficar com medo e nunca mais voltar a dirigir...
Estou meditando sobre tudo isso, não sei se estou deslumbrada com uma nova maneira de viver, mas a verdade é que estou me sentindo muitíssimo bem a pé...
Fora os dias de chuva, que realmente nos desanimam a sair de casa, o resto tem sido só prazer.
Algumas vezes, saio apenas com o RG e algum dinheiro e, claro, o celular.(Este seria impossível abrir mão, já que sou free lancer). Sensação de adolescência tardia, como a que tive quando resolvi fazer uma segunda faculdade aos 30 anos.
Sensação de estar leve e aberta para novas pessoas, lugares, caminhos... E mais que tudo: a sensação de que eu consigo, posso e me contento em consumir cada vez menos... Certeza de que a felicidade não tem mesmo nada a ver com ter, comprar, possuir.
E sim, com livrar-se de condicionamentos antigos e dar-se chance de experimentar outras formas de viver...
Namaste...
quarta-feira, 24 de junho de 2009
prece hindu
Que haja felicidade para todas as pessoas;
que os governantes governem com justiça;
que todos os seres sejam felizes e livres do sofrimento.
Que a chuva venha no tempo certo;
que a terra seja fértil;
que o país esteja livre de agitação;
Que todos sejam prosperos
que todos tenham paz;
que todos tenham plenitude;
que todos estejam bem;
que todos sejam felizes;
que todos sejam saudáveis;
que todos vejam o bem;
que ninguem sofra.
que os governantes governem com justiça;
que todos os seres sejam felizes e livres do sofrimento.
Que a chuva venha no tempo certo;
que a terra seja fértil;
que o país esteja livre de agitação;
Que todos sejam prosperos
que todos tenham paz;
que todos tenham plenitude;
que todos estejam bem;
que todos sejam felizes;
que todos sejam saudáveis;
que todos vejam o bem;
que ninguem sofra.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Da insensatez
Muitas vezes somos movidos por atos insensatos, que não sabemos como nem de onde vem... E corremos atrás de nosso próprio rabo, e praticamos atos que não queríamos, falamos coisas que não deveríamos e ferimos pessoas que não poderíamos.
Enfim, somos como que tomados, possuídos pelas emoções. Pobres de nós... Tantas vezes fora de nós... Agindo pelo instinto, pela força da gravidade que nos puxa para baixo...
No trânsito o que mais vemos são pessoas agindo de forma completamente egoísta.
Fechados em seus vidros escuros, protegendo seus rostos da indignação dos outros, tornam-se arrogantes e violentos.
Como se nada mais existisse além da caixa de ferro que os aliena de tudo e de todos.
A falta de solidariedade impera nas ruas da cidade.
Tanta pressa para chegar aonde, fazer o que???
Pressa que estressa por si só. Pressa que nos impede de olhar nos olhos, de sorrir, interagir... Pressa que pode nos matar...
Estamos nos fechando cada vez mais em nossos pequenos guetos e deixando escapar oportunidades de aprender com a diferença.
Estamos olhando demais para nossos umbigos numa corrida desenfreada para vencer... mas vencer o que e de quem?
Precisamos entender que não importa onde vamos chegar, nem quando... Nós já estamos onde queremos ir...
Mas cegos pelos sentidos, corremos pelas ruas a procura da felicidade, imaginando que ela está sempre fugindo de nós e que precisamos chegar antes pra pegar lugar na sua fila...
Vejo tanta gente perdida, acreditando que a felicidade vai estar no último lançamento imobiliário, automobilístico ou informático.
Tanta gente se matando de trabalhar para comprar a felicidade que nunca estará nas prateleiras. Simplesmente porque se busca fora o que só existe lá dentro.
Nunca vão inventar uma tecnologia que forneça felicidade. O que se pode sintetizar são comprimidos, proibidos e permitidos, que iludem ainda mais e dão uma imensa ressaca quando o efeito passa.
Felicidade não vai vir de fora nunca...
Tanta gente com medo de envelhecer, porque velhice é vendida pela indústria cosmética como falta de higiene, descuido, ignorância.
Tanta gente sofrendo em mesas cirúrgicas achando que vai ser mais feliz se tiver umas gorduras a menos ou uns peitos a mais...
Tanta gente correndo riscos desnecessários em anestesias gerais, bisturis e UTIs infectadas...
Tanta propaganda enganosa levando pessoas a correr risco de vida... E tanta gente enriquecendo às custas das ilusões alheias.
O que nos faz bonitos são as marcas das histórias que vivemos e que forjaram quem somos.
Sem nossas rugas, seríamos um mapa sem países, livros sem palavras...
E muito melhor do que chegar em algum lugar é o caminho, os amigos que fizemos, e, principalmente, as estradas erradas que tomamos e nos permitiram conhecer lugares que não havíamos programado.
Devíamos agradecer aos tropeços que damos porque são eles que nos fazem parar para pensar, porque nos despem de arrogância, porque nos fazem crescer.
Bom mesmo é aprender com os passos que vamos dando, cada vez menos trôpegos... A idade tem destas gentilezas...
Aos vinte anos, vemos apenas nosso próprio umbigo; aos trinta, o umbigo do parceiro, mas aos quarenta, percebemos que todos os umbigos são iguais. Não queremos mais ser nem muito menos, ter o umbigo do outro.
E passamos a encarar o vazio com respeito e admiração, deixando que ele se preencha ao acaso. E isso é delicioso. Não mais arquitetar, não mais querer ser mais rápido que o tempo. Apenas fazer o que tem que ser feito e esperar. Não de forma indulgente, “com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar”, mas sabendo aceitar as transformações, inclusive físicas, e as limitações que o tempo nos trás. Para o auto conhecimento, o tempo só conta a favor.
A idade vem para nos ensinar o que a juventude não quer ver:
que não somos nosso corpo.
Ao perceber isso, vemos que não somos diferentes do mendigo que pede um trocado ou do cara na cadeira de rodas que vende chicletes na rua. E passamos a andar por aí de vidro aberto, trocando sorrisos, cumprimentos e dando passagem a quem ainda tem pressa de chegar a algum lugar...
Namaste...
Enfim, somos como que tomados, possuídos pelas emoções. Pobres de nós... Tantas vezes fora de nós... Agindo pelo instinto, pela força da gravidade que nos puxa para baixo...
No trânsito o que mais vemos são pessoas agindo de forma completamente egoísta.
Fechados em seus vidros escuros, protegendo seus rostos da indignação dos outros, tornam-se arrogantes e violentos.
Como se nada mais existisse além da caixa de ferro que os aliena de tudo e de todos.
A falta de solidariedade impera nas ruas da cidade.
Tanta pressa para chegar aonde, fazer o que???
Pressa que estressa por si só. Pressa que nos impede de olhar nos olhos, de sorrir, interagir... Pressa que pode nos matar...
Estamos nos fechando cada vez mais em nossos pequenos guetos e deixando escapar oportunidades de aprender com a diferença.
Estamos olhando demais para nossos umbigos numa corrida desenfreada para vencer... mas vencer o que e de quem?
Precisamos entender que não importa onde vamos chegar, nem quando... Nós já estamos onde queremos ir...
Mas cegos pelos sentidos, corremos pelas ruas a procura da felicidade, imaginando que ela está sempre fugindo de nós e que precisamos chegar antes pra pegar lugar na sua fila...
Vejo tanta gente perdida, acreditando que a felicidade vai estar no último lançamento imobiliário, automobilístico ou informático.
Tanta gente se matando de trabalhar para comprar a felicidade que nunca estará nas prateleiras. Simplesmente porque se busca fora o que só existe lá dentro.
Nunca vão inventar uma tecnologia que forneça felicidade. O que se pode sintetizar são comprimidos, proibidos e permitidos, que iludem ainda mais e dão uma imensa ressaca quando o efeito passa.
Felicidade não vai vir de fora nunca...
Tanta gente com medo de envelhecer, porque velhice é vendida pela indústria cosmética como falta de higiene, descuido, ignorância.
Tanta gente sofrendo em mesas cirúrgicas achando que vai ser mais feliz se tiver umas gorduras a menos ou uns peitos a mais...
Tanta gente correndo riscos desnecessários em anestesias gerais, bisturis e UTIs infectadas...
Tanta propaganda enganosa levando pessoas a correr risco de vida... E tanta gente enriquecendo às custas das ilusões alheias.
O que nos faz bonitos são as marcas das histórias que vivemos e que forjaram quem somos.
Sem nossas rugas, seríamos um mapa sem países, livros sem palavras...
E muito melhor do que chegar em algum lugar é o caminho, os amigos que fizemos, e, principalmente, as estradas erradas que tomamos e nos permitiram conhecer lugares que não havíamos programado.
Devíamos agradecer aos tropeços que damos porque são eles que nos fazem parar para pensar, porque nos despem de arrogância, porque nos fazem crescer.
Bom mesmo é aprender com os passos que vamos dando, cada vez menos trôpegos... A idade tem destas gentilezas...
Aos vinte anos, vemos apenas nosso próprio umbigo; aos trinta, o umbigo do parceiro, mas aos quarenta, percebemos que todos os umbigos são iguais. Não queremos mais ser nem muito menos, ter o umbigo do outro.
E passamos a encarar o vazio com respeito e admiração, deixando que ele se preencha ao acaso. E isso é delicioso. Não mais arquitetar, não mais querer ser mais rápido que o tempo. Apenas fazer o que tem que ser feito e esperar. Não de forma indulgente, “com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar”, mas sabendo aceitar as transformações, inclusive físicas, e as limitações que o tempo nos trás. Para o auto conhecimento, o tempo só conta a favor.
A idade vem para nos ensinar o que a juventude não quer ver:
que não somos nosso corpo.
Ao perceber isso, vemos que não somos diferentes do mendigo que pede um trocado ou do cara na cadeira de rodas que vende chicletes na rua. E passamos a andar por aí de vidro aberto, trocando sorrisos, cumprimentos e dando passagem a quem ainda tem pressa de chegar a algum lugar...
Namaste...
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